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Em busca de protagonistas
O ano mal começou e uma enxurrada de notícias já está disponível nos mais variados meios de comunicação e mídias. Desde mais uma safra de absurdos perpetrados pela PM paulista – agressão a estudante negro da Usp; ação na Cracolândia- passando pelo artigo publicado na Carta Capital desta semana, que aponta para o verdadeiro preço da pacificação nas favelas cariocas – e ele se refere mais a barracos inflacionados e aumento do custo de vida no morro do que a melhorias sociais visíveis no curto prazo; terminando com mais uma edição do besteirol liderado por Pedro Bial em sua cruzada anual de emburrecimento da classe média.
No fim, pouco importa se o fato é relevante ou não. Ele está ali, ocupando espaço no seu reader e pipocando em todos os grandes portais de notícias, revistas e jornalões. Muito embora situações recentes tenham servido de alerta para os brasileiros de como a mídia nativa funciona (estou falando do silêncio da grandes imprensa a respeito da publicação do ‘Privataria Tucana’), tudo fica muito localizado em segmentos da sociedade que já tem o pé atrás com ‘A’ revista da família Civita e horror às análises freakconômicas de Miriam Leitão, sempre acompanhadas por “Bah”, “Beh”, “Ôôô” e outros sons estranhos (esqueci de listar o clássico não- onomatopeico “veja bem”).
De maneira geral, a ansiedade em apreender todos os eventos, entendê-los como notícias, e levar até o fim o processo de assimilação deles e difusão nas conversas de bar, continua para maior parte da população.
No meio desta psicoldelia, em que o importante se mescla ao irrelevante, eu tive o imenso privilégio de ler o ensinamento mais incrível e revelador dos últimos tempos – ou dos últimos dois séculos. Trata-se de um prefácio escrito por Marcel Proust na ocasião da publicação da edição francesa de ‘Sésame et les Lys’, do inglês John Ruskin.
O prefácio, intitulado ‘ Sobre a Leitura’, tem importância histórica, dado que introduz alguns elementos cruciais que serão abordados na obra ‘Em busca do tempo perdido’. Tamanha relevância fez com que ele fosse separado do título que apresentava para se tornar um pequeno livro.
Proust começa falando da infância e das leituras que fazemos neste estágio de nossas vidas, as quais nos marcam para sempre. Elas criam raízes não só pelos universos que nos apresentam, mas por todos aspectos de nossos cotidianos que por vezes se interpõem entre nós e nosso livro do momento e acabam sendo assimilados por nossas memórias. Como aponta o escritor, “O que as leituras da infância deixam em nós é a imagem dos lugares e dos dias em que as fizemos”.
Ler um livro é um mergulho solitário. Toda a experiência acontece num caminho fluido e unidirecional, em que o autor capta a nossa atenção e nos coloca na rota de seu raciocínio durante os momentos em que estamos ali, sentadinhos; absortos; interessados. No entanto, o aspecto ‘monólogo’ do livro termina assim que viramos a última página deste nosso amigo. A partir daí, aquela fração da Verdade e do Belo que o escritor conseguiu captar e traduzir é, na maior parte dos casos, assimilada pelo leitor, passando a integrar os esforços individuais rumo à construção da sabedoria. Proust generaliza este processo, colocando que o mesmo raciocínio vale para qualquer obra de arte que nos revele alguma coisa; qualquer coisa que antes estivesse encoberta ou negligenciada.
A fórmula é: quando o artista/escritor conclui sua obra, o público/leitor inicia sua viagem.
O que Proust me mostrou, em tempos tão conturbados e carregados de banalidades, é que, qualquer que seja a leitura, ela nunca é por si algo relevante. Na verdade, ela é uma flecha, ou melhor, uma ideia que coletamos no meio do caminho para unir a todas as outras que já estão dentro do nosso saco de peças para o quebra-cabeça da aventura humana. Sendo assim, vale a pena ficar mais alerta para não ser engolfado por tantos cacos desconexos de notícias, tweets, posts; mas, ao contrário, procurar autores; livros (sim, livros!) e publicações (revistas, blogs, etc.) que tenham um alinhamento mais claro com o debate e façam apontamentos relevantes para futuros exercícios mentais.
Somos os protagonistas das nossas vidas e intelectos; não meros receptáculos de ideias e visões.
O/CA
Bonequinha de luxo?
Leitores deste meu blog, peço desculpas por uma semana sem posts. Estava fora de São Paulo, rolando por NYC. (Não, gente, apesar de ter falado tanto, não fui até Zuccotti Park, mesmo porque os occupiers foram tirados de lá um dia depois da minha chegada).
Nota rápida em relação ao meu relacionamento com a cidade – a princípio, não gostava (talvez porque eu seja uma pessoa que sempre quer ir contra as unanimidades…), mas aprendi a ver além da plasticidade e do impulso consumista que parece tomar todo mundo quando pisa por lá; e ver uma cidade vibrante, cheia de pequenas excentricidades e espaços que se moldam à inspiração do momento. A cidade te desafia a ser parte dela– do descoladíssimo Meatpacking ao jazzy Harlem, que, apesar de uma fama não muito positiva, vem dando a volta por cima.
Durante a minha semana por lá, esbarrei com várias coisas interessantes (prometo falar sobre todas nos posts que se seguirão). Existem os essentials, claro- adquirir uma New Yorker e uma Vanity Fair; mas existem também as surpresas!
Uma delas foi um livro que eu comprei no Chelsea Market, chamado ‘Fifth Avenue, 5 A.m’. Basicamente, o livro traça várias rotas que convergirão em 1961, com o lançamento do filme ‘Breakfast at Tiffany’s’, baseado (quase que livremente) na obra homônima de Truman Capote.
Tudo começa com Capote e suas inspirações para compor Holly Golightly; passando pelos produtores do filme se esforçando para ter o direito sobre a obra; pelo roteirista, George Axelrod, querendo desesperadamente emplacar uma comédia menos ingênua; por Audrey se recusando a fazer uma prostituta; e por aí vai…
Como já bem diz a crítica da revista People, estampada na capa do livro, ele te deixa tão entretido ‘que deveria vir com sua própria pipoca’. No metrô, no restaurante e na hora de dormir: só queria saber do bendito livro de Sam Wasson.
O que mais me chamou a atenção foi Holly Golightly, interpretada por Audrey Hepburn, ter sido, na visão de Wasson, um paradigma para a nova mulher que surgia lentamente nos primeiros momentos dos 60’s, ou como o próprio autor coloca, uma nova concepção de feminilidade para os anos anteriores a Woodstock. Holly é uma free spirit e está além da dicotomia good girls (Jackies) versus bad girls (Marlyns).
Isso causou profunda preocupação para o estúdio na hora da adaptação, porque, dentro do conformismo reinante nos anos 50, quem ia sair de casa para assistir ao um filme indecoroso, em que a personagem central era uma prostituta? Até o fato de que fosse Audrey Hepburn, quase uma princesa, seria sumariamente esquecido!
Muito do livro de Capote foi deixado de lado em benefício de uma história que parecesse uma rom-com (comédia romântica), mas existiam as pistas… Sabe o vestido? É, o preto, Givenchy, o “Little Black Dress”, em que Holly toma seu café da manhã em frente a Tiffany & Co.? Indício fortíssimo de que estamos olhando para uma mulher liberta e dona de si. Por quê?
O autor explica: nos anos 50 as cores eram predominantes e davam um ar mais ladylike às mocinhas e às mulheres desta era (se é que poderíamos fazer tal distinção…).
Doris Day, por exemplo, estava sempre num vestido azul ou rosa e, isso dentro da America destes anos, era um ‘emblema de feminilidade’.
O preto veio dar força a um espírito nascente de emancipação; veio para tirar a mulherada do estilo ‘bonequinha’, ao contrário do que o título do filme em português sugere .
“And I say what about Breakfast at Tiffany’s”? : Um filme mais poderoso do que eu e muita gente poderia ter imaginado!
O/CA
Uma Nova Mística Feminina
A reflexão é um rio eterno mesmo. A questão do gênero nunca foi exatamente algo que me mobilizou intelectualmente. Sempre acreditei que o mais importante era pensar em indivíduos trilhando uma estrada maluca chamada vida.
No entanto, recentemente comecei a refletir mais sobre o assunto, que aliás já foi conteúdo de post. Atualmente, entre outras mil coisas, estou lendo um clássico da literatura feminista – “The Feminine Mystique” ( A Mística Feminina); e estou relacionando as constatações de Betty Friedan a muitas coisas que já vi e vivi.

Primeiro e mais importante: do que fala A Mística Feminina?
Este livro foi responsável por um verdadeira revolução no movimento feminista nos EUA. Muitas vezes conformadas com o aparente sucesso da vida dos suburbs, as mulheres americanas foram chamadas a razão e a consciência do que já começavam a sentir: um “problema que não tinha nome”.
Tinha sim. O mal era a própria mística feminina, que varreu todos os sonhos das mulheres americanas, a partir dos anos 50, para debaixo do tapete, e colocou a função de mulher e mãe como imperativo para suas vidas, como modelo absoluto do que seria uma “mulher feminina”. No entanto, havia um grito rouco dentro destas mulheres que um dia acharam que a vida de dona de casa era a única e melhor opção disponível, ou seja, que a mística estava certa.
Pequenos tiranos?
Enquanto o mundo discute tirania num âmbito político, nossas sociedades podem estar enfrentando uma tirania muito mais dolorosa e sutil, chamada maternidade. Esta é a ideia da filósofa francesa e controversa feminista, Elisabeth Badinter, que em seu livro mais recente, ‘O Conflito: A Mulher e a Mãe’, aponta para uma involução nas lutas começadas nos anos 70 e a volta da mulher para casa e para os filhos.
A mulher, segundo a filósofa, foi empurrada a isso nos anos 90, quando a crise econômica começou um verdadeiro expurgo feminino no mercado de trabalho e fez com que os Estados – ‘por definição natalistas’ (Badinter:26)- remanejassem as mulheres/mães para casa, oferecendo a elas um salário (!).
O que nos leva a querer crianças? Badinter aponta, munida de alguns dados de pesquisas , que majoritariamente mulheres e homens (neste caso franceses) se guiam por uma motivação mais hedonista do que racional na hora de decidir ter um filho. Trata-se da vontade de continuar a família; de se sentir menos sozinhas (os) na velhice, etc. Isso oblitera os aspectos nefastos de se colocar uma criança no mundo, ou seja, a dor de cabeça fica para depois.
Para piorar o quadro, temos também o fator pressão social. Para a coletividade é esdrúxulo – e até mesmo reprovável- que uma mulher não queira ser mãe! A própria Badinter escreveu nos anos 80 um livro consagrado a desmontar o mito do amor materno, argumentando que o ‘destino inexorável’ da mulher em ser mãe não é ‘natural’, mas sim construído.
Livro: “Fronteiras do Pensamento”, Org. Axt e Schüler, 2010.
Quando o mundo fica muito difícil de ser entendido, eu sempre acho que é hora de me pegar com as ciências sociais. E hoje em dia, com tantos acontecimentos e tanta massa de informação, já virou quase uma relação de dependência…
No começo do ano li um livro incrível chamado ‘ Fronteiras do Pensamento’.
O seminário Fronteiras do Pensamento foi o que os organizadores classificam como “uma aventura intelectual”. As diversas conferências que rolaram na UFRGS , entre 2007-2008, foram posteriormente transcritas e compiladas neste livro.
E não estou falando de qualquer palestrinha não!
Nomes de peso das mais diversas áreas do conhecimento foram chamados para dar sua contribuição em meio ao lodo da pós- modernidade. Caras como Morin, Philip Glass ( que, aliás, se apresenta na Sala São Paulo hoje), Beto Brant, Wim Wenders, etc. etc.etc.
Podemos até querer engavetar os mais diversos conhecimentos, mas na essência eles estão sempre interligados; podemos até querer esquecer a Academia, mas ela ainda está por aí, condensando e problematizando nossa realidade.
Vale muito a pena ler este livro para tentar entrar minimamente nos grandes debates culturais, sociais e estéticos do nosso tempo .
Vou até deixar uma passagem que achei bem interessante. Nas palavras do filósofo francês, Sylvère Lotringer:
Dentre todos os teóricos franceses pós-1968, o trabalho de Paul Virilio poderia ser lido como uma potente reescritura de Sociedade do espetáculo à luz do impacto das novas tecnologias na vida diária. Não se trata apenas de acumulação de imagens, como Debord acreditava, mas da velocidade de transmissão, que se traduz em “concreta fábrica de alienação”. A homogeneização do espaço sociopolítico pela telepresença e a ilusão de ubiquidade [onipresença] foram produzidas pela velocidade e velocidade é uma forma de violência.
O/CA
Sobre clones, mercadorias e espetáculo
Eu sempre fui da opinião (um pouco paradoxal talvez) de que uma boa massa social se faz apenas se os indivíduos estiverem totalmente sozinhos, fragmentados e absorvidos por todo este volume de informação dos novos tempos. Estamos vivendo um momento muito mais muito delicado, exatamente porque já não sabemos se vivemos no mundo real ou num mundo que experimentamos via representações. Ficou difícil? Calma, proponho um exemplo.
Você já teve o (des)prazer de assistir “A Ilha”, aquele filme de 2005 com a Scarlett Johansson? É um filme que fala sobre clones que vivem num complexo qualquer e serão sacrificados caso seus donos precisem de alguma parte deles. O que eu gostaria de sublinhar em relação a este blockbuster é um trecho do filme (sim, eu tenho boa memória) que me deixou particularmente ‘chocada’. Basicamente lá pelas tantas, os dois personagens principais conseguem fugir do tal lugar onde eram mantidos e como um bom filme hollywoodiano começam a se apaixonar durante a correria da fuga.
Até onde me lembro, o personagem de Scarlett Johansson, descobre o sentimento do ‘amor’ da forma mais estranha possível: na frente de uma televisão (ela fez uma pausa durante algum corre- corre alucinado) num comercial de perfume. Não é sensacional? O diretor/ roteirista tinha mil formas de colocar a tal clone em contato com este sentimento, em contato com o que ela está de fato sentindo… Mas, ué, o que pode ser melhor do que um comercial de perfume? Você aí de casa não entra em contato com a ‘beleza’ lendo a Vogue?
Livro: “Aos meus amigos”, Maria Adelaide Amaral
Nas minhas idas e vindas com a geração Y (peço desculpas se estou parecendo obcecada com essa coisa de gerações), sempre fico achando que tudo o que ela faz deixa a desejar. Fiquei chocada com a morte de Amy . De verdade. Especialmente porque nessa altura do campeonato entrar num grupinho “mal do século” não obedece nem a uma estética revolucionária…
Neste fim de semana, enquanto a moça morria de um lado, eu terminava do outro o livro ‘Aos meus amigos’, de Maria Adelaide Amaral.
O romance relata as desventuras de um grupo de amigos que se reúne para o enterro de Léo. Este foi em vida um homem tão brilhante quanto relapso. Apesar de um grande intelectual, ele não fez grande coisa de seus dons.
Consumido pelos fantasmas de sua existência, acaba seus dias se jogando de uma janela. Sua morte se transforma no evento perfeito para que seus amigos curem velhas feridas, olhando em retrospecto para si mesmos e para as bandeiras de sua geração.
Super recomendado!
Nota: A série Queridos Amigos, de 2008, é baseada neste livro. No entanto, ela é um pouco diferente. Mais lúdica, talvez…
O/CA
‘Toda arrogância ceifará uma rica colheita de lágrimas’
A frase acima é de Heródoto e foi um dia sublinhada por Robert Fitzgerald Kennedy, enquanto lia “The Greek Way”, de Edith Hamilton. A continuação da frase é: ‘Deus convoca os homens a uma pesada prestação de contas por orgulho exagerado de si próprios’.
Quem diz isso? Um escritor chamado Robert Klein, em seu livro “A maldição dos Kennedy”. O livro dele passou anos rolando pela minha casa e, por causa da minissérie, The Kennedys, eu resolvi, finalmente, lê-lo. O que é a curiosidade… ( Santo Agostinho diria que é andar de costas para Deus!).
Se você como eu guardou 40 minutos de seu tempo para assistir aos capítulos de The Kennedys e ficou chocado com o nível de tragédia, eu te digo: você não viu nada! Infelizmente, as estatísticas da família são muito piores. Dos 9 filhos de Joe Kennedy, 5 foram “abatidos” por uma espécie de vingança dos Deuses. JFK e RFK : assassinados; Joe Kennedy Jr. e Kathleen Kennedy: desastre de avião e Rosemary Kennedy: foi lobotomizada (procedimento requisitado por seu próprio pai) . Mesmo com o passar dos anos, como já é sabido , a nuvem negra não se dissipou e outros Kennedys acompanharam esta espécie de ‘maldição’.
E o que isso tem de interessante? Este livro que eu li, além da fofoca histórica, dá uma ‘psicologizada’ na coisa toda. A família Kennedy é irlandesa e católica, como todos devem saber, e seu patriarca saiu da Irlanda durante a Grande Fome e o jugo britânico, um momento de miséria humana atroz. O que o autor coloca é que todo este contexto criou um complexo de inferioridade acentuado na psique irlandesa, o qual marcou também Patrick Kennedy, que mesmo tendo emigrado para os EUA se sentia o mesmo irlandês subjugado pelos britânicos e depois hostilizado pela comunidade WASP americana (pela qual a família demorou muito a ser aceita.)
O lobo à porta – presos em nossas peles
Você já ouviu esta música do Radiohead?
Para mim, ela é uma referência bem explícita ao que se convenciona chamar de predador da psique. Eu não sou psicóloga, bem entendido, mas faço terapia há anos, o que torna alguns conceitos velhos conhecidos meus. O predador da psique é, como explica Clarissa Pinkola Estés, um “aspecto contra naturam, uma força voltada “contra a natureza” (…) Trata-se de um antagonista debochado e assassino que nasce dentro de nós e, mesmo com criação parental mais cuidadosa, sua função é a de tentar transformar todas as encruzilhadas em ruas sem saída” (Estés, 1992:57)
Tenho certeza de que você já entrou em contato com essa força maligna inata- seja com uma sensação de aprisionamento e desconforto no mundo (como diria Alanis Morrissette: se sentindo desconfortável em sua própria pele) seja via projeção. Na via da projeção é sempre o Outro que não permita que você cresça, que você saia e que floresça. Desculpa informar: sempre foi você.
Livro: “Liberdade”, Jonathan Franzen
Adoro gratas surpresas literárias e o livro “Liberdade” foi uma delas. Estou num momento bem “americanóide”, por assim dizer.
“Liberdade” conta a verdadeira saga de uma família americana, que começa com a união de Patty e Walter Berglund nos anos 70 e se estende a meados dos anos 2000, acompanhando por várias perspectivas a trajetória do casal, de seus filhos e do amigo hipster, Richard, pela estrada tortuosa do sonho americano.
A leitura proporciona uma visão prismática e despretensiosa da própria sociedade americana e seus “personagens”: os vizinhos intrometidos, a dona de casa frustrada, o marido certinho malthusiano, o melhor amigo músico que nunca cresce, o filho amoral que vira neocon, a irmã atriz intratável do Village, a mãe Democrata distante, etc.
E tudo isso numa prosa fluente, bem- humorada e muito inteligente. Leitura recomendadíssima!
O/CA.










